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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Debate politico no café

O PSD ganhou (mesmo com um resultado pior do que em 2004), o PS teve uns dos piores resultados de sempre (pior ainda do que o obtido por Santana Lopes!), o grande vencedor foi o BE (e já agora o CDS, ao derrotar as sondagens). Têm saído inúmeras análises aos resultados, não quero alongar-me por aí (apesar de achar um pouco estranho o proclamado estado de graça do PSD, quando na verdade decresceram em relação a 2004; a derrota do PS reflectiu-se numa distribuição de votos na restante esquerda - sobretudo no Bloco-, não propriamente no PSD).

O que eu quero partilhar convosco é uma acesa discussão a que assisti no domingo de manhã, a propósito das eleições. Não quero fazer juízos de valor, quero apenas partilhar a conversa convosco. Três senhoras estão alegremente a tomar o seu pequeno-almoço, quando uma lança o debate:

Senhora 1: Epá, já foste votar?
Senhora 2: E eu quero lá saber disso!
Senhora 1: Mas tu és burra ou quê?! Tens de ir votar no Sócrates, senão tiram-nos o rendimento mínimo! Tas a dormir, é o que é!

A terceira senhora, visivelmente irritada, decide intervir:

Senhora 3: O quê?! Votar nesse grandessíssimo filho da mãe?! Eu trabalhei uma vida inteira e recebo uma merda de reforma! E vocês, muito mais novas que eu que já não posso, recebem muito mais do que eu pra estar em casa a coçá-la, pra vir pro café fumar e beber o dia todo! Esse filho da mãe que vá pro caralho! Votar nele nem morta! Tenho é de votar para o pôr a andar!

O silêncio instala-se no café. A senhora 3 levanta-se para sair, não sem antes continuar:

Senhora 3: Ide trabalhar que podem muito mais do que eu! Ide gozar com o caralho! Farta de vos ver foder o dinheiro que eu andei tanto anos a descontar estou eu!

E é assim que as coisas vão, no país real. O que me dizem sobre isto?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Para onde caminhamos?

Ontem tive uma experiência a que chamaria surreal, de início, mas no final de contas, parece-me banal. A caminho de casa, deparo-me com um homem caído contra um muro na berma da estrada, com a bicicleta a seus pés. Parei imediatamente o carro e, quando me preparo para sair, reparo que estão 4 carros estacionados em cima do passeio com os "4-piscas" ligados, isto muito próximo do local onde o homem se encontrava. Pensei eu: "algum acidente".

Saio do carro, dirijo-me apressadamente ao senhor e vejo que ele está inconsciente, mas após chamar várias vezes por ele, lá mostrou alguma reacção. Era um senhor já com alguma idade, que segundo ele se tinha atrapalhado com os carros e foi contra o muro. Lá ajudei o homem a levantar-se, a curar algumas das feridas e ele seguiu o seu caminho.

Ora, até aqui tudo normal. Mas qual não é o meu espanto quando me apercebo que, em 3 desses 4 carros, o condutor estava dentro dele. Naquele caso, e desculpem-me a expressão, três "senhorecas" a ler revista de fofoca enquanto esperavam pela sua vez para serem atendidas na esteticista que aí se encontra! Nenhuma delas, bem como nenhuma das pessoas que entretanto passaram no local, esboçaram sequer a mínima intenção de ajudar o homem caído!

Daí a minha revolta. Daí a minha pergunta: para onde caminhamos enquanto sociedade, enquanto seres humanos?

Será que o egoísmo irá de facto prevalecer sobre a solidariedade?

Será que a ideologia "every men for himself" irá ser levada ao seu expoente máximo? Se assim for, poderemos continuar a usar os termos "sociedade" e "comunidade"?

Continuaremos a ter uma democracia, ou a anarquia passará a reinar?

Não sei. Sinceramente, nem quero pensar nisso... O que me assusta é estarmos cada vez mais próximo deste novo paradigma social...