Exmos. Senhores Administradores do BES
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.
Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito'-equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.
A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.
Mas os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vais acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Vou abrir um banco
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Ensino de qualidade II
Em primeiro lugar, ia apenas comentar a tua pedrada, mas depois fui divagando até que tornei isto num barroco!
Quero deixar claro que gostei muto da tua ideia e que ela seria bem recebida por muitos professores e pretendo explicar aqui o porquê! Mas antes quero comentar um facto que assinalaste de extrema importância: a ambiguidade dos rankings de escolas.
Os rankings actuais são criados pelas redacções dos jornais tendo por base os dados fornecidos pelo Ministério da Educação. 1º problema: Cada redacção adopta os critérios que quer... uns limitam as escolas pelo número de alunos, outros pela área geográfica e outros ainda pelo número de exames. Demasiados critérios, pouca informação relevante e poucas conclusões se retiram dos rankings. 2º problema: Ninguém sabe se os rankings são para se levar a sério ou se são apenas para fazer notícias e assim condicionar a opinão pública!
O que é verdade é que ambíguos ou não, os rankings mostram que no seu topo estão sempre escolas privadas, mas também é verdade que no seu fundo também estão escolas privadas. Também é verdade que os maiores fossos entre a avaliação interna e o resultado obtido no exame também se registam em escolas privadas. A acrescentar a este facto, temos que as escolas privadas realizam poucos exames e recebem apenas os alunos que querem, ao passo que as escolas públicas têm muitos exames e recebem todos os alunos (internos ou externos) que neles se inscrevam!
Desta forma, parece claro que as escolas públicas e privadas não "concorrem" (o termo não me parece o melhor, porque não se trata de um concurso...) no mesmo pé de igualdade e portanto a elaboração de um ranking fiável e claro não se pode basear apenas nos resultados dos Exames Nacionais. Mas é bastante importante que esse ranking seja mais uma ferramenta de trabalho com o objectivo de melhoria do ensino.
Quanto à proposta do Fausto, considero-a (quase) brilhante uma vez que, ao contrário do que é vigente no ensino em Portugal, preocupa-se com os alunos com melhores capacidades! Este tipo de alunos tem tido pouco incentivo no ensino português, preferindo-se apoiar todos aqueles que apresentam dificuldades, indisciplina constante, pouco interesse ou empenho no estudo!
A selecção dos alunos para a frequência de escolas de referência é um bom ponto de partida, mas não será o único! A criação de projectos a nível de escola, como o Projecto TurmaMais da Escola Rainha Santa Isabel, em Estremoz, e a aproximação entre Escolas e Universidades serão outros aspectos a explorar!
A todos aqueles que apontam o dedo à proposta do Fausto gritando "discriminação", muitos mais baterão palmas clamando por "justiça"! Os professores facilmente concordarão com esta proposta, pois ela valoriza o mérito e incentiva ao interesse e empenho pelas actividades escolares, em detrimento das preocupações e tempo desperdiçado com os indisciplinados e desinteressados!
Mas os professores não querem medidas avulso como as que têm sido tomadas nos últimos 30 anos e legisladas por pessoas distantes do ensino que não conhecem a realidade... Os exemplos de más leis são tantos que daria para outro barroco! Os professores querem um projecto nacional para o Ensino e leis reais e coerentes!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Ensino de qualidade
No entanto, uma coisa está clara... os colégios privados dominam os topo da tabela.
Penso que deveria existir na rede de escolas públicas, um conjunto de escolas de topo que dominassem os rankings e fossem uma alternativa pública aos colégios privados. Em certos países, existem este tipo de escolas, ou em alternativa, uma série de bolsas de estudo para os melhores alunos que não têm possibilidades económicas para frequentar os colégios privados.
A solução para implementar este tipo de escolas é, por incrível que pareça, extremamente simples.
- para regiões servidas por uma rede relativamente densa de escolas, permitir a criação de uma escola de regime especial.
- Estas escolas, inicialmente, só seriam diferentes das outras pelo facto de poderem escolher os alunos. Os alunos que não fossem aceites por esta escola ou que fossem convidados a sair, teriam de ser aceites pelas outras escolas. Hoje em dia, é praticamente impossível uma escola recusar um aluno.
- As escolas teriam de manter um número normal de alunos, ou seja, só poderiam expulsar um aluno se isso não implicasse descer abaixo de um número mínimo de alunos.
- As escolas podiam manter uma lista de espera de alunos que quisessem entrar ou pedir transferência. Estes seriam seleccionados e convidados a entrar caso um aluno fosse expulso.
- Numa segunda fase, os professores e toda a equipa não-docente também seriam escolhidos. Não haveria professores efectivos nessas escolas, estando lá todos por destacamento. Os períodos de destacamento seriam definidos (por exemplo: 3 anos) e renováveis. A renovação seria pendente de uma série de critérios, tal como os resultados dos próprios alunos, mas mais importante ainda seria a avaliação dos outros professores.
- A avaliação dos encarregados de educação NÃO seriam um dos critérios... infelizmente, os pais às vezes têm prioridades enviesadas. Acham que um bom professor é amigo dos alunos e dá boas notas... claramente isso não define um bom professor que produz bons resultados.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Campeão do Salto com Vara
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Humpty-dumpty?
Mas tudo isto são lérias quando as comparamos com isto.
Celebrar a queda do muro é celebrar a Europa, a liberdade. Há mudanças que se coligam com a evolução temporal: as transiçoes absolutismo-liberalismo, monarquia-republica por exemplo são em regra unidireccionais - a historia raras vezes dá cambalhotas para trás. Por isso o PCP está velho: porque no que diz guarda a vontade de uma pirueta acrobática e do regresso ao que já não é.
Berlim unificado é, pela queda da muro, simbolo de prevalencia de democracia e de união na diferença. E percorrendo a Karl Marx Allee, ladeado de uma arquitectura imponente, reminiscente de um regime quadrado - até mesmo na sua estética - não consigo deixar de sorrir perante a alegria de uma cidade que, ainda que com dois rostos, tem hoje uma alma apenas.
A avaliação a Mário Nogueira... de novo.
No fundo, o que me faz imensa confusão é ver tantas medidas que trazem mais dignidade à profissão e que motivam uma cultura de excelência, premiando quem de facto se revela merecedor, serem rejeitadas pelos sindicatos, usando a capa da "luta". Usando o argumento de serem uns coitados explorados pelo estado.
sábado, 7 de novembro de 2009
Watson e o gene colorido
"We do not yet adequately understand the way in which the different environments in the world have selected over time the genes which determine our capacity to do different things. The overwhelming desire of society today is to assume that equal powers of reason are a universal heritage of humanity. It may well be. But simply wanting this to be the case is not enough. This is not science. To question this is not to give in to racism. This is not a discussion about superiority or inferiority, it is about seeking to understand differences, about why some of us are great musicians and others great engineers."
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mário David: Já chega!
Umas declarações dessas claramente só podem vir de uma pessoa com uma forte intolerância religiosa. A tolerância implica aceitar críticas, cartoons, outros pontos de vista e, mais que tudo, aceitar quem não acredita em Deus, Buda ou Thor.José Saramago: Já chega!
José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?
Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter.
Para quem acredita em Deus, devia considerar a atitude de Roger Williams, o fundador do estado de Rhode Island, EUA, que foi banido do Massachusetts pelas suas ideias radicais, tais como a separação entre a igreja e o estado, a liberdade religiosa e a vivência pacífica com os índios americanos. Apesar disso, era uma pessoa extremamente religiosa, pastor e fundador da primeira igreja baptista na América. Rhode Island tornou-se um refúgio para pessoas de todas as crenças e, para além disso, viviam lado a lado com os índios, aos quais tinha comprado a terra para criar a colónia de Rhode Island que, mais tarde, veio dar origem ao estado homónimo.
Uma pessoa que demonstra através das suas acções ser de bom carácter, só o é verdadeiramente se não esperar nenhuma recompensa ou castigo pelas acções que realiza.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Autárquicas 2009
Um pequeno ponto luminoso
Surpresa no Nobel da Economia!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O valor real das coligações
- PS: 40%
- PSD: 26,7%
- PP: 20%
- BE: 6,7%
- CDU:6,7%
Clarificação:
O Shapley value foi calculado para a maioria simples e assume-se que os partidos da coligação votam a favor, e os que não estão, votam contra.
Exemplo:
- A coligação PS+BE é equivalente a 46,7%, que é insuficiente para maioria simples.
- A coligação PS+CDU é equivalente à PS+BE, porque apesar do BE ter mais deputados, não existe nenhuma coligação possível que não possa ser feita com o BE, que também não possa ser feita com a CDU.
- O PP tem um Shapley value superior à sua representação no parlamento, uma vez que consegue viabilizar várias coligações: {PS+PP, PSD+BE+PP, PSD+CDU+PP}.
- Por outro lado, o PSD fica pouco acima do PP porque é apenas necessário para coligações que não incluam o PS.
- Basicamente, qualquer coligação que têm um Shapley value superior a 50%, terão a maioria simples.
E o vencedor é...
Este é o momento para ver até que ponto a classe politica é capaz de abandonar os seus odiozinhos e lutar, junta, por um Portugal mais forte.
Comparação dos resultados com lista única nacional
PARTIDO Por_distrito Nacional Diferença
PS......... 96.........87........9
PSD.........78.........70........8
PP..........21.........25.......-4
BE..........16.........23.......-7
PCP.........15.........18.......-3
PCTP/MRPP....0..........2.......-2
MEP..........0..........1.......-1
Estes cálculos foram obtidos usando os resultados provisórios que estão publicados no site http://www.legislativas2009.mj.pt. Para a distribuição de deputados por partido, foi aplicado o método de Hondt, que é o mesmo método usado a nível de distrito.
Estes resultados mostram que 17 deputados em 226 foram atribuídos incorrectamente aos dois partidos com maior número de votos.
Também é interessante analisar que o PP teve 591974 votos, contra os 557109 do BE, mas o PP perdeu apenas 3 deputados enquanto o BE perdeu 7. Claramente, o BE obteve muitos votos em distritos que não elegeram deputados pelo BE.
É óbvio que não é do interesse dos partidos mais votados mudar o sistema actual, mas o objectivo de uma democracia representativa recair exactamente na sua designação de representativa.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
TAP+ANA: o golpe do século
- A ANA e a AENA (versão espanhola) são as duas umas entidades de gestão de aeroportuária que operam todos os aeroportos dos respectivos países.
- Na Catalunha, uma das maiores lutas do governo autonómico foi conseguir participar na gestão dos aeroportos da região e em especial do aeroporto de El Prat (BCN). Durante muitos anos, a AENA teve uma política de apoio do modelo de HUB da IBERIA, centrado em Barajas. Os milhares de passageiros que saíam de Barcelona para a América Latina, tinham necessariamente que passar por Madrid... para rentabilizar a IBERIA e o terminal T4 de Barajas (exclusivo da IBERIA).
- O Aeroporto do Porto é dos melhores da Europa, com vários prémios, e tem uma das taxas aeroportuárias mais baixas. A RyanAir opera a partir do Porto devido ao baixos custos e ao tempo reduzido de turnaround (20-25 minutos). O tempo de turnaround é o tempo que demora a descarregar e a voltar a carrerar um avião, e é fundamental para aumentar a rentabilidade dos voos.
- O Aeroporto de Faro é extremamente concorrido, principalmente durante a primavera e o verão e, no entanto, não tem condições para suportar todos esses passageiros. Este aeroporto claramente seria ainda mais rentável com uma remodelação semelhante ao ao Aeroporto do Porto.
- O Aeroporto da Portela está a rebentar pelas costuras, com a sua estrutura antiquada e com remodelações superficiais sucessivas. Por outro lado, a parte militar (Figo Maduro) continua sem ser utilizada.
Há uns anos atrás, a TAP achou que podia ser como a IBERIA (antes do advento das low-cost). Achou que o modelo em HUB deveria ser utilizado na Portela, sendo alimentado por passageiros nacionais e europeus, para ligação ao Brasil e a países da América Latina. Para além disso, os voos para destinos europeus teriam sempre de passar por Lisboa, mesmo que houvessem passageiros suficientes do Porto para terem voos directos.
Esta política de centralizar os voos em Lisboa, provavelmente foi apoiada pela ANA, que já há muitos anos tentava justificar um aeroporto novo para Lisboa. Por outro lado, a ANA prometeu um terminal próprio para a TAP, no novo aeroporto. A TAP ia ter o seu T4... até já se sentia ao nível da IBERIA.
... e depois apareceram as low-cost.
Estas empresas conseguem operar com custos bastante inferiores porque têm um esforço constante de aumentar a eficiência, de usar a Internet, de permitir aos passageiros gerir o verdadeiro custo da viagem (bagagens, check-in, ...). Para além disso, estas empresas só oferecem voos directos, o que são mais baratos que escalas em aeroportos de HUB.
As low-cost sabem que atrasos, bagagens perdidas e um mau serviço são maus para o negócio e aumentam os custos.
... mas TAP ainda quer o seu terminal.
A TAP não consegue competir com as low-cost nem com as operadores de bandeira que já foram reestruturadas. No entanto, continua a insistir que tudo vai melhorar com um novo aeroporto.
Agora que o novo aeroporto já está quase garantido, voltou a ter voos intercontinentais a partir do Porto, de modo a reduzir a carga da Portela.
... e a ANA ainda quer o seu aeroporto.
Em vez de ter investido em reestruturações de fundo na Portela, foi adiando até ser insustentável manter o aeroporto e impossível de implementar alguma reestruturação de fundo. Agora, não existe outra possibilidade que construir o novo aeroporto.
No entanto, o negócio não é muito vantajoso. O novo aeroporto fica longe de Lisboa, o que vai reduzir a sua rentabilidade, e não está claro que a TAP consiga aumentar o número de voos para rentabilizar o aeroporto. Por outro lado, as outras operadoras não têm interesse em usar no novo aeroporto como HUB, mas apenas como destino final.
Qual a solução para adoçar o negócio?
Vende-se a ANA a quem construir o aeroporto, e assim inclui-se os outros aeroportos (bastante rentáveis) para adoçar o negócio. Quem construir o novo aeroporto, terá como melhor estratégia para aumentar a rentabilidade do novo aeroporto, voltando ao modelo de HUB e aumentando as taxas aeroportuárias dos outros aeroportos para os níveis do novo aeroporto.
Se alguém duvida que esta é a melhor estratégia, compare com a concessão da Ponte Vasco da Gama, em que a empresa também detém a concessão da ponte 25 de Abril (já paga há muitos anos), de modo a uma ponte não fazer concorrência à outra.
Conclusão.
A construção do novo aeroporto vai um encargo muito grande para o país, a TAP muito dificilmente conseguirá rentabilizar o aeroporto (basta ver as crises e greves constantes e os prejuízos constantes) e os passageiros dos outros aeroportos vão andar a pagar pelo novo aeroporto de Lisboa e vão ter um pior serviço.
Solução.
Não há solução... excepto a privatização parcial dos aeroportos do Porto e Faro, em que a participação pública passaria por uma gestão regional. Talvez assim o novo aeroporto de Lisboa seja repensado para uma solução mais racional e eficiente. O aeroporto tem de valer por sí, e não pelos dotes que vêm atrás.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Ideias para financiar um jantar...
Por diversas vezes, li aqui a expressão da vontade de muitos em passarmos as discussões para um local mais físico que a virtualidade na internet, por exemplo: uma mesa bem farta de comida e bebida!
Considerando que estamos a atravessar uma crise profunda e que os bolsos de todos não se encontram tão recheados quanto a mesa que imaginamos, procura-se um financiamento para a realização do referido jantar.
Após muita procura, posso, enfim, dizer que encontrei uma solução!
Então caros amigos, a ideia é a seguinte:
A minha avó, habitante de uma aldeia quase deserta, de apenas uma dezena de conterrâneos é possuidora de alguns terrenos bastante íngremes e pedregosos (bem típicos na região da Serra da Estrela). Pois bem, esses terrenos não estão a ser tratados, nem cultivados (diria mesmo, ao abandono), bem como os terrenos vizinhos.
Assim, tive a ideia de construir uma auto-estrada naqueles terrenos! Negócio extremamente lucrativo, senão vejamos:
- O interior português precisa de mais quilómetros de auto-estrada, sob o nome do desenvolvimento. Ora, uns hectares alcatroados serão sem dúvida um desenvolvimento enorme para a terra e para a região!
- Sob o desígnio do desenvolvimento, podemos expropriar mais alguns hectares aos vizinhos da minha avó e assim aumentar o número de quilómetros alcatroados.
- Ainda sob o desígnio do desenvolvimento e pela dificuldade que é construir uma estrada naquela região podemos conseguir algumas verbas a fundo perdido, vindas da Europa e do Estado Português!
- Claro que o interior também tem direito a ter asfalto 5 estrelas, como o litoral. Essa será a qualidade da estrada a construir, o que envolverá mais custos, logo mais verbas do Estado e da Europa!
- Como será um investimento enorme, teremos que obter retorno do investimento com portagens. Mas o custo da portagem terá que ser elevado, porque não nos podemos habilitar a que o Sr.Joaquim, futuro-antigo-proprietário das terras, as queira usar novamente atravessando a autoestrada com as suas cabritas e o burro, estragando o asfalto 5 estrelas!
- Mas, atenção! O negócio não fica por aqui... Teremos também que encomendar um estudo para saber quantos veículos passarão pela nossa auto-estrada e já que o estudo é encomendado por nós, podemos lançar um número nunca inferior a 100mil carros por ano!
- Ora, com esse número, podemos sempre propor ao Governo uma concessão da auto-estrada. Nessa concessão colocaremos uma cláusula em que em virtude do risco do negócio, teremos que ser compensados pelo Estado caso não se atinjam os 100mil carros por ano e se por ventura os alcançarmos não teremos que ressarcir ninguém!
- Ah e quando houver obras, queremos um novo financiamento e obrigaremos todos os utentes a pagar a portagem na sua totalidade!
A parte lamentável do negócio é a pouca criatividade porque é assim que já se constroem auto-estradas em Portugal...
sábado, 12 de setembro de 2009
Círculos eleitorais... saga continua
Nunca aconteceu em Portugal, mas o sistema eleitoral abre as portas a uma equação confusa e de difícil saída: um partido pode ter mais votos, mas acabar com menos deputados no Parlamento. As sondagens recentes mostram o alto grau de disputa e imprevisibilidade das eleições de 27 de Setembro. Uma extrapolação dessas previsões, feita para o PÚBLICO pelo politólogo José António Bourdain, revela que esse cenário é possível.Já antes tinha mencionado em Sistema de votação para o parlamento, que os círculos eleitorais são um ataque à democracia, uma vez que há muitos votos desperdiçados e o parlamento não reflecte as verdadeiras escolhas dos eleitores. Nestas eleições, vamos ter a oportunidade de ver o sistema a funcionar excepcionalmente mal.
Como? Devido ao sistema de representação proporcional, há sempre votos nos círculos eleitorais (distritos) que não chegam para eleger deputados. Quanto mais votos sobrarem, maior a possibilidade de um partido ter mais votos mas menos deputados.in Publico, 12.09.2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Política e as suas claques
"Autênticas claques aparecem do nada e tomam conta dos espaços de discussão. Enxovalhar os outros e exaltar o grande líder assume-se como único objectivo."
A cegueira, a obsessão e por vezes até o ódio dominam discussões politicas, ao invés da razão, da classe e da elegância, remetidas para fora do "estádio" onde o jogo político se desenrola. Tal como o JRV diz no final do post:
"É pena ver gente inteligente subitamente transformada em autênticas caixas de ressonância..."
Eu acrescentaria: é muito perigoso para o futuro do país.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Abaixo os feriados!
Alguns, porventura, veriam nisto uma benesse (menos aulas para dar). Eu vejo um problema, não são muitas aulas (14) e menos duas faz diferença. A menos que eu não me importasse de não cumprir o programa, mas importo-me!
Se não me engano, feriados nacionais são 13:
1 - 1/Jan
2 - Carnaval (não sei se é ...)
3 - Sexta-Feira Santa
4 - Corpo de Deus
5- 25/Abril
6 - 1/Maio
7 - 10/Jun
8 - 15/Ago
9 - 5/Out
10 - 1/Nov
11 - 1/Dez
12 - 8/Dez
13 - 25/Dez
A maior parte deles não serve para nenhuma comemoração específica, apenas serve para tirar férias, fazer pontes, ter tolerâncias de ponto (o conceito mas idiota da nossa cultura de bandalheira). Se assim é, então transformem-nos em dias de férias móveis, em vez de feriados inúteis. Eu ficaria apenas com os 5 seguintes, os quais não colidiriam com as aulas (talvez apenas o 10/Jun):
1 - 1/Jan
2 - Carnaval
3 - Sexta-Feira Santa
4 - 10/Jun
5 - 25/Dez
Todos os demais passariam para o Domingo seguinte, alguns desapareceriam completamente, tal a sua falta de sentido (alguém comemora o 1/Dez?).
Os demais 8 passariam a dias de férias extra, a gozar em qualquer altura do ano.
Isto merecia um referendo!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
O futuro do SNS
Imagine que tem uma empresa. Imagine que nessa empresa tem um funcionário (colaborador, diz-se agora...) que não faz o seu trabalho de forma competente ou que alega razões para o não fazer. Imagine que a solução do seu problema, enquanto empregador, é manter o funcionário inútil e contratar uma empresa em regime de out-sourcing para fazer o trabalho desse funcionário. Imagine ainda, para terminar, que esse funcionário presta serviço para essa empresa, onde cumpre zelosamente com as suas obrigações. Pronto, pode parar de imaginar, a metáfora está terminada. Acrescento apenas que esta metáfora se baseou num exemplo real concreto e que o pagador, claro está, eramos todos nós (o Estado).
No entanto, é isto que a MFL propõe para o SNS. Como o mesmo não presta bom serviço (por vezes por simples desorganização mas normalmente não por falta de meios), paga-se a privados para fazer o mesmo mas bem e depressa, privados esses que podem envolver os mesmos médicos que no SNS não são tão eficientes.
Eu sei que a qualidade é estimulada pela remuneração, e que os bons médicos podem cobrar bem porque sabem que os doentes ficam satisfeitos. Portanto, uma política de premiar a qualidade com um salário mais elevado é benéfica para aumentar a qualidade do serviço prestado. Mas o mecanismo proposto pela MFL nada resolve, porque continua a pagar a ineficiência enquanto paga celeridade (?) e qualidade (?), paralelamente, quando deveria, com incentivos, diminuir a ineficiência premiando a qualidade.





