Mostrando postagens com marcador reforma na educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reforma na educação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Requalificação do parque escolar, visto por uma aluna

No meio da minha tentativa de recuperar "leituras perdidas", dei de caras com um artigo muito interessante sobre a requalificação do parque escolar. A visão é de uma aluna. Optei por citar apenas algumas partes, mas vale a pena ler o artigo todo (aqui).

"Sim é um facto, que o principal problema da educação não é as infraestruturas, mas as condições destas influenciam a qualidade de ensino de uma maneira notável."

"Será que estas condições vão fazer subir as notas dos alunos? Não me parece, um aluno bom é aluno bom de qualquer maneira. Será que vão nos preparar melhor para o mundo académico? Sem dúvida."


Eu gosto sobretudo desta última. De facto, hoje avalia-se muita coisa à custa de estatísticas cegas. A verdade é que, vá ou não diminuir o insucesso escolar, esta renovação das escolas abre as portas para uma melhor preparação dos alunos, a todos os níveis.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ensino de qualidade

Os rankings das escolas são claramente ambíguos e dados a múltiplas interpretações.
No entanto, uma coisa está clara... os colégios privados dominam os topo da tabela.

Penso que deveria existir na rede de escolas públicas, um conjunto de escolas de topo que dominassem os rankings e fossem uma alternativa pública aos colégios privados. Em certos países, existem este tipo de escolas, ou em alternativa, uma série de bolsas de estudo para os melhores alunos que não têm possibilidades económicas para frequentar os colégios privados.

A solução para implementar este tipo de escolas é, por incrível que pareça, extremamente simples.
  • para regiões servidas por uma rede relativamente densa de escolas, permitir a criação de uma escola de regime especial.
  • Estas escolas, inicialmente, só seriam diferentes das outras pelo facto de poderem escolher os alunos. Os alunos que não fossem aceites por esta escola ou que fossem convidados a sair, teriam de ser aceites pelas outras escolas. Hoje em dia, é praticamente impossível uma escola recusar um aluno.
  • As escolas teriam de manter um número normal de alunos, ou seja, só poderiam expulsar um aluno se isso não implicasse descer abaixo de um número mínimo de alunos.
  • As escolas podiam manter uma lista de espera de alunos que quisessem entrar ou pedir transferência. Estes seriam seleccionados e convidados a entrar caso um aluno fosse expulso.
  • Numa segunda fase, os professores e toda a equipa não-docente também seriam escolhidos. Não haveria professores efectivos nessas escolas, estando lá todos por destacamento. Os períodos de destacamento seriam definidos (por exemplo: 3 anos) e renováveis. A renovação seria pendente de uma série de critérios, tal como os resultados dos próprios alunos, mas mais importante ainda seria a avaliação dos outros professores.
  • A avaliação dos encarregados de educação NÃO seriam um dos critérios... infelizmente, os pais às vezes têm prioridades enviesadas. Acham que um bom professor é amigo dos alunos e dá boas notas... claramente isso não define um bom professor que produz bons resultados.
Para os críticos da criação deste conjunto de escolas por supostamente criar discriminação no sistema público, o meu comentário é apenas um: se as escolas públicas não oferecerem uma alternativa aos colégios privados, a discriminação será baseada em factores económicos em vez de factores de mérito.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Leituras

Continuo afastado por uns tempos (até ao final da minha estadia no MIT) dos comentários políticos, mas não da leitura. Assim, partilho convosco alguns textos que cativaram a minha atenção recentemente:

Gostava também de chamar a atenção para um excelente blog: Fado Positivo. Um blog que vai na direcção dos meus ideais, dos meus princípios. Para abrir o apetite, vou citar apenas a descrição que o autor faz do blogue:

"Fado Positivo

Farto do bota-abaixismo.
Farto dos maus agoiros, o derrotismo e os fatalismos.
Farto do discurso do coitadinho.
Farto do discurso político vigente da desgraça iminente, apenas interrompido durante os anitos em que se está no poder.
Farto da táctica política do "quanto pior, melhor".
Farto duma imprensa que vasculha entre relatórios gigantescos até encontrar uma nota de rodapé com uma má notícia, e que apresenta os dados no modo mais sensacionalista possível.
Farto duma opinião pública que considera que qualquer má notícia é 100% objectiva e qualquer boa notícia é uma manipulação do governo.
Farto do "dantes é que era", o "isto está cada vez pior" e o "só neste país".
Farto dos velhos do Restelo.

Este blogue é optimista.
Ponto final."

Precisamos desta mudança de paradigma. Urgentemente! Parabéns ao Miguel Carvalho pela iniciativa!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Reforma na educação portuguesa, vista dos EUA

Dei de caras com um artigo no "The Huffington Post", com o título "Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!"

É um título que agarra o leitor, sobretudo o português. Um conselheiro do Presidente e de várias empresas a pegar no exemplo português para mostrar uma saída para o grave problema no ensino nos Estados Unidos? Uau, de certeza que o tipo se está a referir a Portugal? Tenho de ler isto, pensei eu.

Não fui defraudado. Excelente artigo, e de alguém isento (a não ser que o Sócrates manipule a imprensa americana também). Excelente para a moral portuguesa. Afinal fazemos alguma coisa de jeito por cá. Em pouco tempo, é já o segundo tema no qual a imprensa americana busca o exemplo português para reformas nos EUA (o outro foi a liberalização das drogas, massivamente discutido por aqueles lados). É obra, não acham?

Porque é que a nossa imprensa não dá relevo a isto? Afinal, tratam-se de exemplos de que afinal somos bons em alguma coisa. E que tal usar isso para tentar afastar a velha mentalidade portuguesa do "coitadinho" de Portugal que é tão pequenino? Bem, isso seria uma longa discussão que só nos desviaria da análise feita neste artigo (não resisto a fazer a provocação: irá a Manuela Moura Guedes falar deste assunto na sexta?).

Neste artigo, Portugal é referido como líder na renovação do conceito de ensino. Sim, porque nem tudo o que temos e fazemos é mau, afinal. Sim, o actual Governo investiu imenso na modernização do país, criando uma plataforma para um futuro mais desenvolvido e, consequentemente, melhor. Sim, esta pode ser a base que nos permitirá sair da cauda da Europa. E não sou eu que o digo, é um conselheiro do Presidente americano.

Se não acredita, leia o artigo em baixo. Mas só para aguçar o apetite, o final da "história" é:

Yet after seeing the promise of the exciting classrooms in Portugal, I'm convinced it is worth it. Your child should be so fortunate.

Sim, é mesmo isso que leu: o autor diz que as crianças americanas deveriam ter o mesmo privilégio que as portuguesas.

Tal como José Sócrates referiu na conferência do programa CMU-Portugal (um outro exemplo de criação de uma base para desenvolvimento sustentável do país), ainda há bem pouco tempo, faziam-se boicotes a eleições por não haver electricidade. Agora, fazem-se boicotes por não se ter acesso à rede de banda larga. Sim, Portugal está a crescer.

Aqui fica o artigo (o negrito é escolha minha):

President Obama already knows that the nation's schools are failing a large number of young Americans. One-third of all students drop out before finishing high school. It's a terrible record, and it's even worse in inner city public schools, where only half of blacks and Hispanics graduate from school. This is not a legacy that would make anyone proud: More young Americans on a proportionate basis drop out of school today than at any other time in our history.

This problem is undoubtedly complicated, but one of the reasons why many American youth are unmotivated and not learning well is that they're bored in school. They're grown up in a fast paced, challenging digital world, with the Internet, mobile devices, video games and other gadgets. They watch less television than their parents did and TV is typically a background activity. They are a generation doesn't like to be broadcast to and they love to interact, multi-task and collaborate. Yet, when they get into the classroom, they're faced with stale textbooks and lectures from teachers who are still using a nineteenth century innovation, chalk and blackboard.

American classrooms need to enter the 21st century. Thousands of teachers agree. Earlier this year, several important educational groups urged the president and Congress to spend nearly $10 billion to improve technology in the classroom, and ensure teachers know how to use computers most effectively.

To show the way, I suggest the president take a look at a modest country across the Atlantic that's turning into the world leader in rethinking education for the 21st century.

That country is Portugal. Its economy in early 2005 was sagging, and it was running out of the usual economic fixes. It also scored some of the lowest educational achievement results in western Europe.

So Prime Minister Jose Socrates took a courageous step. He decided to invest heavily in a "technological shock" to jolt his country into the 21st century. This meant, among other things, that he'd make sure everyone in the workforce could handle a computer and use the Internet effectively.

This could transform Portuguese society by giving people immediate access to world. It would open up huge opportunities that could make Portugal a richer and more competitive place. But it wouldn't happen unless people had a computer in their hands.

In 2005, only 31% of the Portuguese households had access to the Internet. To improve this penetration, the logical place to start was in school, where there was only one computer for five kids. The aim was to have one computer for every two students by 2010.

So Portugal launched the biggest program in the world to equip every child in the country with a laptop and access to the web and the world of collaborative learning. To pay for it, Portugal tapped into both government funds and money from mobile operators who were granted 3G licenses. That subsidized the sale of one million ultra-cheap laptops to teachers, school children, and adult learners.

Here's how it works: If you're a teacher or a student, you can buy a laptop for 150 euros (U.S. $207). You also get a discounted rate for broadband Internet access, wired or wireless. Low income students get an even bigger discount, and connected laptops are free or virtually free for the poorest kids. For the youngest students in Grades 1 to 4, the laptop/Internet access deal is even cheaper -- 50 euros for those who can pay; free for those who can't.

That's only the start: Portugal has invested 400 million euros to makes sure each classroom has access to the Internet. Just about every classroom in the public system now has an interactive smart board, instead of the old fashioned blackboard.

This means that nearly nine out of 10 students in Grades 1 to 4 have a laptop on their desk. The impact on the classroom is tremendous, as I saw this spring when I toured a classroom of seven-year-olds in a public school in Lisbon. It was the most exciting, noisy, collaborative classroom I have seen in the world.

The teacher directed the kids to an astronomy blog with a beautiful color image of a rotating solar system on the screen. "Now," said the teacher, "Who knows what the equinox is?"

Nobody knew.

"Alright, why don't you find out?"

The chattering began, as the children clustered together to figure out what an equinox was. Then one group lept up and waved their hands. They found it! They then proceeded to explain the idea to their classmates.

This, I thought, was the exact opposite of everything that is wrong with the classroom system in the United States.

The children in this Portuguese classroom were loving learning about astronomy. They were collaborating. They were working at their own pace. They barely noticed the technology, the much-vaunted laptop. It was like air to them. But it changed the relationship they had with their teacher. Instead of fidgeting in their chairs while the teacher lectures and scrawls some notes on the blackboard, they were the explorers, the discoverers, and the teacher was their helpful guide.

Yet too often, in the U.S. school system, teachers still rely on an Industrial Model of education. They deliver a lecture, the same one to all students. It's a one-way lecture. The teacher is the expert; the students are expected to absorb what the teacher says and repeat. And students are supposed to learn alone.

Teachers often feel that this is the only way to teach a large classroom of kids, and yet the classroom in Portugal shows that giving kids laptops can free the teacher to introduce a new way of learning that's more natural for kids who have grown up digital at home.

First, it allows teachers to step off the stage and start listening and conversing instead of just lecturing. Second, the teacher can encourage students to discover for themselves, and learn a process of discovery and critical thinking instead of just memorizing the teacher's information. Third, the teacher can encourage students to collaborate among themselves and with others outside the school. Finally, the teacher can tailor the style of education to their students' individual learning styles.

It's not easy to change the model of teaching. In fact, this is the hard part. It's far easier to spend money, as Portugal did, to put Internet into the classroom and equip the kids with laptops. ( By now, half of high school students now have them, as do four in 10 middle school students.)

Yet Portugal has been careful to invest in teacher training to capitalize on the possibilities of the laptops in schools. They're also thinking of creating a new online platform to allow teachers to work together to create new lessons and course materials that take advantage of the interactive technology. Through this collaboration, the Portuguese school system will create exciting new online materials to educate children. Lots of ideas are already making their way into Portuguese classrooms, says Mario Franco, chair of the Foundation for Mobile Communication, which is managing the e-school program. There are 50 different educational programs and games inside the laptops the youngest children use. The laptops are even equipped with a control to encourage kids to finish their homework and score high marks. If they do, they get more time to play.

It's too early to assess the impact on learning in Portuguese schools. Studies of the impact of computers in schools elsewhere have been inconclusive, or mixed. One key problem is that simply providing computers in schools is not enough. Teachers facing a classroom of kids with laptops need to learn that they are no longer the expert in their domain; the Internet is.

Yet Portugal is on a campaign to reinvent learning for the 21st century. The technology is only one part of that campaign. The real work is creating a new model of learning.

I believe this could help the U.S. revive students' interest in school and perhaps keep them in school long enough to graduate, and even go to college. It would be a substantial investment. It's estimated that the total cost of giving a computer to each student, including connection to networks, training, and maintenance, is over $1,000 per year.

Yet after seeing the promise of the exciting classrooms in Portugal, I'm convinced it is worth it. Your child should be so fortunate.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ora diga lá outra vez


Mário Nogueira:
"A sra. ministra tem um problema, o seu discurso estagnou. O discurso que hoje ouvimos quatro anos após a legislatura em relação aos problemas da educação, da sociedade, dos professores e da escola pública não teve mudanças, parece uma cassete."
(...)
dá sempre os mesmos exemplos, não se notando nenhuma evolução ou progressão no seu discurso."

Como é que é? Será que se equivocou e trocou "sra. ministra" por "Fenprof" nas suas declarações, caro "Professor" Mário?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Escolas matam a criatividade

Mais um post sobre educação (depois deste, deste, deste, deste, deste e -finalmente- deste)... Eu sei, somos chatos...

Nesta palestra, Ken Robinson defende que é necessário mudar drasticamente o sistema de ensino na nossa sociedade. É preciso dar asas à criatividade! Tal como ele, eu sinto que este tipo de ensino é adequado para produzir máquinas, autómatos, desprovidos de criatividade e capacidade de inovação. O que não é surpreendente, pois (em todo o mundo) este sistema foi criado por volta do século XIX com o objectivo de corresponder aos pedidos decorrentes da revolução industrial.

Vejam os vídeos:

1ª Parte



2ª Parte



O que têm a dizer?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

As 11 regras de Bill Gates

Recentemente, recebi um email da Nina com 11 regras (conselhos?) propostas por Bill Gates numa palestra numa escola.

Quem me conhece e já teve o (des)prazer de discutir comigo assuntos relacionados com a educação, sabe que estas regras vão exactamente ao encontro daquilo que acredito ser um sistema de ensino que de facto prepara os alunos para o "mundo lá fora".

Aqui ficam:

  1. A vida não é fácil. Acostuma-te a isso.

  2. O mundo não se preocupa com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa útil por ele, ANTES de te sentires bem contigo próprio.

  3. Não ganharás € 6.000 por mês, mal saias da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa, com carro e telefone ao teu dispor, sem antes teres conseguido comprar os teus próprios carro e telefone.

  4. Se achas que o teu professor é exigente e rude, espera até teres um Chefe. Este, não terá pena de ti!

  5. Vender jornais velhos ou trabalhar durante as férias, não te diminui socialmente. Os teus avós, têm outra palavra para isso: chamam-lhe oportunidades...

  6. Se fracassares, não é por culpa dos teus pais. Por isso, não lamentes os teus erros, mas sim aprende com eles.

  7. Antes de nasceres, os teus pais não eram tão críticos como o são hoje. Só ficaram assim por terem de pagar as tuas contas, lavar as tuas roupas e ainda por cima, ouvir-te dizer que são “ridículos". Por isso, antes de “salvares o planeta” para a próxima geração, ao quereres corrigir os os erros da geração dos teus pais, tenta é limpar o teu próprio quarto!

  8. A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Nalgumas escolas, já nem repetes o ano e dão-te todas as oportunidades que forem precisas para acertares. Bom, isto não se parece em NADA com a vida real... Nela, se pisares o risco, estás despedido. RUA!!!! Por isso, faz tudo como deve ser logo à primeira.

  9. A vida não se divide em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que os outros empregados te ajudem a fazer as tuas tarefas no fim de cada período.

  10. A televisão NÃO É a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar de ir ao bar ou à discoteca, e irem trabalhar.

  11. Sê simpático com os CDFs (aqueles estudantes que os outros julgam que são uns patetas). Há uma grande probabilidade de vires a trabalhar PARA um deles...
No fundo, o que me parece que Bill Gates tenta criticar é a educação com base no facilitismo, no deixa-andar, sem exigências, sem rigidez. Já há muito que eu defendo que o tipo de educação que Bill Gates critica (que é o tipo de educação que temos) revelar-se-á como um dos cancros da nossa sociedade. E como sistema de ensino eu não considero apenas a escola: incluo também os pais, a familia, a sociedade em geral.

Sugestões para começar a caminhar num sistema de ensino diferente?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A luta continua... cada vez mais desgastada II

No seguimento do que aqui escrevi, temos esta notícia no Público:

Luta divide professores e sindicatos:

"(...) Considerando que os sindicatos estão a "condicionar e a inibir a livre discussão" do tema ao confrontarem os professores com uma moção previamente elaborada, os três principais movimentos (MUP, APEDE e PROMOVA) divulgaram um texto conjunto onde, além disso, repudiam e denunciam o facto de a moção posta à subscrição pela Plataforma Sindical (que agrega os 11 sindicatos do sector) se limitar a convidar os docentes a mandatar os sindicatos para encontrarem uma data, no 3.º período deste ano lectivo..."

Para quando a saída de Mário Nogueira?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A luta continua... cada vez mais desgastada

O tema da reforma na educação é demasiado complexo, demasiado polémico para ser discutido num post apenas. Não querendo tomar partido (porque penso que não se deveria tratar de uma guerra, mas sim de uma conjugação de esforços para melhorar o ensino em Portugal), tenho de confessar que cada vez mais sinto que o Mário Nogueira não é, nem de perto nem de longe, um bom representante para os professores. De facto, penso que este senhor tem vindo a desgastar a imagem desta classe profissional junto da opinião pública, ao transformar tudo isto numa guerrinha que, em certos pontos, toca o amuo. E sem a opinião pública do seu lado, será muito difícil atingirem os seus objectivos (em particular, no caso do Mário Nogueira, retirar a Maria de Lurdes Rodrigues de cena).

Tomemos as recentes declarações do Mário Nogueira (aqui):

"Quando esta revisão pretendia acabar com a divisão da carreira docente em categorias hierarquizadas, o ministério vem reforçar a existência dessas categorias."

Todos os professores têm a mesma qualidade e competência? Não me parece. Daí que me parece mais do que natural hierarquizar a classe, de forma a premiar qualidade e empenho, o que não acontecia até agora. Sou da opinião que é exactamente a não existência desta hierarquização competitiva da classe que fomenta a acomodação aos privilégios e consequente diminuição de qualidade. É preciso premiar (e de forma inequívoca) os professores que dignificam a classe e penalizar aqueles que são a razão de tantos portugueses verem a profissão de professor como um "tacho".

"Quando se pretendia que o ingresso na carreira dependesse da formação de professores e não de uma mera prova que se realiza em hora e meia e que decide a vida de um jovem, o ME vem reforçar a existência dessa prova"

Usando palavras do próprio Mário Nogueira, isto é "pura demagogia". A prova não elimina o mérito exibido pelo professor durante a sua formação. Apenas pretende verificar se este tem competências cientificas para exercer a profissão. Diria um demagogo que a sua formação no ensino superior já atesta essas competências, mas todos nós sabemos (ou deveríamos saber) que isso não é verdade. Infelizmente, na altura das vacas gordas (i.e. quando a escassez de professores era considerável) a "torneira" abriu e entraram no sistema muitos "professores" sem capacidades nem formação para exercer a profissão. Mais: essa oportunidade de mercado levou a que várias instituições privadas criassem cursos na área de educação, cursos esses que deixavam (será que deixaram de deixar?) muito a desejar em termos de qualidade científica. Seria notável ver o sindicato reconhecer que um escalonamento dos professores feito com base na média de licenciatura é extremamente injusto, dada a disparidade verificada no grau de exigência de diferentes instituições de ensino superior.

No fundo, o que me faz imensa confusão é ver tantas medidas que trazem mais dignidade à profissão e que motivam uma cultura de excelência, premiando quem de facto se revela merecedor, serem rejeitadas pelos sindicatos, usando a capa da "luta". Diria de amuo! Para quem tanto criticou o facto de o topo da carreira estar limitado a alguns, agora que o ministério se mostrava disponível a negociar esse ponto, dizer que "Isso é pura demagogia"...

Existem de facto imensos pontos onde as propostas do ministério não são as mais adequadas, mas a abordagem que a Fenprof (particularmente o seu secretário geral) tem vindo a tomar contribui para uma perda de credibilidade perante a opinião pública e, consequentemente, perda de força.