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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A avaliação a Mário Nogueira... de novo.

O tema da avaliação dos professores voltou à ribalta (se é que alguma vez saiu), com o CDS a tentar encontrar um ponto de encontro entre a posição do governo e a dos sindicatos, ambas intransigentes até ao momento. Esta estabilidade é fundamental para o bom funcionamento do sistema de ensino, mas sinceramente espero que a base da proposta do governo se mantenha: avaliação, com subida na carreira baseada no mérito.


Fundamental para um possível entendimento é a não-intervenção de Mário Nogueira, pelo menos no estilo a que nos habitou. Já por várias vezes mostrei o meu descontentamento para com a atitude deste "professor" (há quantos anos não dá aulas mesmo?), como por exemplo aqui e aqui.

No fundo, o que me faz imensa confusão é ver tantas medidas que trazem mais dignidade à profissão e que motivam uma cultura de excelência, premiando quem de facto se revela merecedor, serem rejeitadas pelos sindicatos, usando a capa da "luta". Usando o argumento de serem uns coitados explorados pelo estado.

Veja-se o quanto o Estado os explora, neste excerto do Diário da Republica onde se podem ver alguns valores das reformas atribuídas pela Caixa Geral de Aposentações:



(dados obtidos a partir da publicação em Diário da Republica; podem ser consultados aqui)

Esta estratégia de Mário Nogueira é infeliz, muito infeliz, pois apenas contribui para o deterioramento da já desgastada imagem da classe docente. Trata-se de uma classe que é vista como privilegiada por uma parte significativa da opinião pública, donde esta atitude de "vitimização" vem apenas piorar essa imagem.

Trata-se de uma profissão crucial para o desenvolvimento de uma sociedade. Assim, é natural que se trate de uma classe privilegiada, de uma elite. É natural que queiramos privilegiar quem educa e forma os nossos filhos.

Mas, assim, é também natural exigir elevação, qualidade e excelência. Privilégios aos melhores, aos que nos privilegiam com a sua capacidade de ensinar. Para que sejam uma elite admirada pelo sociedade, é necessário que lutem por promover os melhores e afastar os que não dignificam a profissão.

Sejamos francos: não é essa a imagem que Mário Nogueira e, consequentemente, a classe dos professores nos tem vindo a transmitir.

O actual processo de avaliação pode não ser o melhor, mas é certamente melhor do que o vazio anterior. Não podemos cair no erro de, à boa maneira portuguesa, passarmos 20 anos a discutir a melhor forma de resolver o problema, enquanto o problema se agiganta e provoca danos irreversíveis.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Basta o título

... para percebermos que há algo de errado:

Líder da Fenprof diz em comício da CDU que Sócrates distingue entre "cidadãos de primeira e de segunda"

Hum... Líder sindical discursando num comício da CDU? Ah, esperem! Ao lermos a notícia, vemos o seguinte:

"O dirigente da Federação Nacional de Professores respondia assim às declarações do secretário-geral do PS, José Sócrates, que afirmou no sábado que há sindicatos que são instrumentalizados e que funcionam como correia de transmissão de partidos, a propósito da manifestação que juntou dezenas de milhar de docentes em Lisboa, e em que esteve presente a cabeça-de-lista da CDU ao Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo."

Como é? Ora diga lá outra vez (mas talvez noutro local onde não esteja a decorrer um comício de um partido politico que por acaso juntou-se às manifestações dos professores).

Mais a sério, para quando o verdadeiro sindicalismo (aquele que de facto é útil ao trabalhador e à sociedade) em Portugal?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ora diga lá outra vez


Mário Nogueira:
"A sra. ministra tem um problema, o seu discurso estagnou. O discurso que hoje ouvimos quatro anos após a legislatura em relação aos problemas da educação, da sociedade, dos professores e da escola pública não teve mudanças, parece uma cassete."
(...)
dá sempre os mesmos exemplos, não se notando nenhuma evolução ou progressão no seu discurso."

Como é que é? Será que se equivocou e trocou "sra. ministra" por "Fenprof" nas suas declarações, caro "Professor" Mário?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A luta continua... cada vez mais desgastada II

No seguimento do que aqui escrevi, temos esta notícia no Público:

Luta divide professores e sindicatos:

"(...) Considerando que os sindicatos estão a "condicionar e a inibir a livre discussão" do tema ao confrontarem os professores com uma moção previamente elaborada, os três principais movimentos (MUP, APEDE e PROMOVA) divulgaram um texto conjunto onde, além disso, repudiam e denunciam o facto de a moção posta à subscrição pela Plataforma Sindical (que agrega os 11 sindicatos do sector) se limitar a convidar os docentes a mandatar os sindicatos para encontrarem uma data, no 3.º período deste ano lectivo..."

Para quando a saída de Mário Nogueira?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A luta continua... cada vez mais desgastada

O tema da reforma na educação é demasiado complexo, demasiado polémico para ser discutido num post apenas. Não querendo tomar partido (porque penso que não se deveria tratar de uma guerra, mas sim de uma conjugação de esforços para melhorar o ensino em Portugal), tenho de confessar que cada vez mais sinto que o Mário Nogueira não é, nem de perto nem de longe, um bom representante para os professores. De facto, penso que este senhor tem vindo a desgastar a imagem desta classe profissional junto da opinião pública, ao transformar tudo isto numa guerrinha que, em certos pontos, toca o amuo. E sem a opinião pública do seu lado, será muito difícil atingirem os seus objectivos (em particular, no caso do Mário Nogueira, retirar a Maria de Lurdes Rodrigues de cena).

Tomemos as recentes declarações do Mário Nogueira (aqui):

"Quando esta revisão pretendia acabar com a divisão da carreira docente em categorias hierarquizadas, o ministério vem reforçar a existência dessas categorias."

Todos os professores têm a mesma qualidade e competência? Não me parece. Daí que me parece mais do que natural hierarquizar a classe, de forma a premiar qualidade e empenho, o que não acontecia até agora. Sou da opinião que é exactamente a não existência desta hierarquização competitiva da classe que fomenta a acomodação aos privilégios e consequente diminuição de qualidade. É preciso premiar (e de forma inequívoca) os professores que dignificam a classe e penalizar aqueles que são a razão de tantos portugueses verem a profissão de professor como um "tacho".

"Quando se pretendia que o ingresso na carreira dependesse da formação de professores e não de uma mera prova que se realiza em hora e meia e que decide a vida de um jovem, o ME vem reforçar a existência dessa prova"

Usando palavras do próprio Mário Nogueira, isto é "pura demagogia". A prova não elimina o mérito exibido pelo professor durante a sua formação. Apenas pretende verificar se este tem competências cientificas para exercer a profissão. Diria um demagogo que a sua formação no ensino superior já atesta essas competências, mas todos nós sabemos (ou deveríamos saber) que isso não é verdade. Infelizmente, na altura das vacas gordas (i.e. quando a escassez de professores era considerável) a "torneira" abriu e entraram no sistema muitos "professores" sem capacidades nem formação para exercer a profissão. Mais: essa oportunidade de mercado levou a que várias instituições privadas criassem cursos na área de educação, cursos esses que deixavam (será que deixaram de deixar?) muito a desejar em termos de qualidade científica. Seria notável ver o sindicato reconhecer que um escalonamento dos professores feito com base na média de licenciatura é extremamente injusto, dada a disparidade verificada no grau de exigência de diferentes instituições de ensino superior.

No fundo, o que me faz imensa confusão é ver tantas medidas que trazem mais dignidade à profissão e que motivam uma cultura de excelência, premiando quem de facto se revela merecedor, serem rejeitadas pelos sindicatos, usando a capa da "luta". Diria de amuo! Para quem tanto criticou o facto de o topo da carreira estar limitado a alguns, agora que o ministério se mostrava disponível a negociar esse ponto, dizer que "Isso é pura demagogia"...

Existem de facto imensos pontos onde as propostas do ministério não são as mais adequadas, mas a abordagem que a Fenprof (particularmente o seu secretário geral) tem vindo a tomar contribui para uma perda de credibilidade perante a opinião pública e, consequentemente, perda de força.