sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Vocês não são pobres, vocês gastam é mal o vosso dinheiro"

Recebi este e-mail e ainda que esteja um pouco exagerado demonstra bem a realidade que se vive em Portugal. Por isso resolvi partilhar:
"Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino que conhece bem Portugal, o Eddie...
Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos”:
- Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres...

Esta foi a sua resposta:
- Carlos, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu? Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA? Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares o equivalente 20.000? Podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não. Não te entendo. Nós é que somos pobres: por exemplo, em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais. Além disso, são vocês que têm “ impostos de luxo” como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.

Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado. Sois pobres onde, Carlos? Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre ganhos por adiantado e bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado. Deixa-te de merdas Carlos, sois pobres onde? Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoas, isto é mais ou menos os vossos 2000 €. Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar. Vocês é que vão construir aeroportos, linhas de TGV e requalificar milhares de escolas, quando dizem que estão em crise e porque o vosso primeiro diz que é uma oportunidade...não é oportunidade nenhuma, vão é esbanjar o dinheiro que não têm. Vocês não são pobres, vocês gastam é muito mal o vosso dinheiro.

Que vou responder ao Eddie?
Por favor dêem-me sugestões."
Ps. É óbvio que os Estados Unidos também têm telhados de vidro!

?!

"Hillary Clinton oferece um dia com o seu marido para pagar dívidas de campanha"

Aí se isto pega por cá! Bem, se o Manuel Maria Carrilho se candidatasse a presidente...

A oposição (in)existente em Portugal

Luís Rocha, no Blasfémias, com "A caminho da servidão":

"O maior drama deste país não é, por conseguinte, o PS (ou o BE e PCP) que temos. É que os partidos à sua direita também se agachem, com irritante subserviência, perante os chamados “valores de esquerda”; que não tenham a coragem de os afrontar com aqueles que deveriam ser os seus, de que há muito se esqueceram, designadamente o direito à privacidade e à liberdade individual; que não ousem defender frontalmente as vantagens da privatização da segurança social e denunciar a fraude “madoffiana” que constitui o modelo de segurança social pública; que aceitem bovinamente a divulgação pública das chamadas “listas negras” de devedores ao fisco; que não se insurjam contra leis estúpidas como a da paridade, do tabaco ou do teor de sal no pão; que não defendam claramente o cancelamento dos mega-projectos, a forma mais escabrosa de concentração da riqueza em alguns à custa de todos; que abdiquem, em suma, de constituir uma verdadeira alternativa e de representar os muitos (porventura uma maioria silenciosa) que estão contra este status quo.


Por alguma razão, o PSD e o CDS não descolam nas sondagens, apesar da crise e dos sucessivos auto-golos que o adversário vai marcando. Para gerir um modelo estatista que eles já interiorizaram, o PS é, sem dúvida, bem mais eficiente."


A luta continua... cada vez mais desgastada

O tema da reforma na educação é demasiado complexo, demasiado polémico para ser discutido num post apenas. Não querendo tomar partido (porque penso que não se deveria tratar de uma guerra, mas sim de uma conjugação de esforços para melhorar o ensino em Portugal), tenho de confessar que cada vez mais sinto que o Mário Nogueira não é, nem de perto nem de longe, um bom representante para os professores. De facto, penso que este senhor tem vindo a desgastar a imagem desta classe profissional junto da opinião pública, ao transformar tudo isto numa guerrinha que, em certos pontos, toca o amuo. E sem a opinião pública do seu lado, será muito difícil atingirem os seus objectivos (em particular, no caso do Mário Nogueira, retirar a Maria de Lurdes Rodrigues de cena).

Tomemos as recentes declarações do Mário Nogueira (aqui):

"Quando esta revisão pretendia acabar com a divisão da carreira docente em categorias hierarquizadas, o ministério vem reforçar a existência dessas categorias."

Todos os professores têm a mesma qualidade e competência? Não me parece. Daí que me parece mais do que natural hierarquizar a classe, de forma a premiar qualidade e empenho, o que não acontecia até agora. Sou da opinião que é exactamente a não existência desta hierarquização competitiva da classe que fomenta a acomodação aos privilégios e consequente diminuição de qualidade. É preciso premiar (e de forma inequívoca) os professores que dignificam a classe e penalizar aqueles que são a razão de tantos portugueses verem a profissão de professor como um "tacho".

"Quando se pretendia que o ingresso na carreira dependesse da formação de professores e não de uma mera prova que se realiza em hora e meia e que decide a vida de um jovem, o ME vem reforçar a existência dessa prova"

Usando palavras do próprio Mário Nogueira, isto é "pura demagogia". A prova não elimina o mérito exibido pelo professor durante a sua formação. Apenas pretende verificar se este tem competências cientificas para exercer a profissão. Diria um demagogo que a sua formação no ensino superior já atesta essas competências, mas todos nós sabemos (ou deveríamos saber) que isso não é verdade. Infelizmente, na altura das vacas gordas (i.e. quando a escassez de professores era considerável) a "torneira" abriu e entraram no sistema muitos "professores" sem capacidades nem formação para exercer a profissão. Mais: essa oportunidade de mercado levou a que várias instituições privadas criassem cursos na área de educação, cursos esses que deixavam (será que deixaram de deixar?) muito a desejar em termos de qualidade científica. Seria notável ver o sindicato reconhecer que um escalonamento dos professores feito com base na média de licenciatura é extremamente injusto, dada a disparidade verificada no grau de exigência de diferentes instituições de ensino superior.

No fundo, o que me faz imensa confusão é ver tantas medidas que trazem mais dignidade à profissão e que motivam uma cultura de excelência, premiando quem de facto se revela merecedor, serem rejeitadas pelos sindicatos, usando a capa da "luta". Diria de amuo! Para quem tanto criticou o facto de o topo da carreira estar limitado a alguns, agora que o ministério se mostrava disponível a negociar esse ponto, dizer que "Isso é pura demagogia"...

Existem de facto imensos pontos onde as propostas do ministério não são as mais adequadas, mas a abordagem que a Fenprof (particularmente o seu secretário geral) tem vindo a tomar contribui para uma perda de credibilidade perante a opinião pública e, consequentemente, perda de força.

Mário Crespo

Excelente sátira do Mário Crespo no JN! Começo a ficar viciado nos seus artigos de opinião.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E a campanha continua...

(in Público):

O que a Europa fez por nós?

Hilariante este sketch (que encontrei aqui), uma adaptação de um sketch dos Monty Pytons feita pelo Movimento Esperança Portugal:



Team Hoyt

Apesar de não estar bem dentro do tema deste blog, ao ver este vídeo senti-me obrigado a partilhá-lo. Nem sei o que dizer quanto ao que sinto quando vejo este vídeo. Mas uma coisa eu sei: isto é viver.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Agora sim, temos campanha

Agora que o PSD tem um cabeça de lista, a batalha começou. E, como vem sendo hábito, o confronto começou logo com declarações onde os candidatos mostram a sua ideologia politica e visão, as suas propostas, as suas ideias e os seus planos para implementar essas ideias:

(in Público):
Um sinal claro do estado actual da politica em Portugal.

"Socialism has failed. Now capitalism is bankrupt. So what comes next?"

Artigo fantástico do Eric Hobsbawm, no The Guardian. Um must read!

Politica de porta-a-porta

Segundo Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD nas Europeias, a sua campanha será "muito orientada para o porta-a-porta, o rua-a-rua, o boca-a-boca, de olhos nos olhos com o cidadão". O mesmo afirma que, relativamente ao anúncio do seu nome como cabeça de lista do PSD, "não considera que tenha sido um anúncio tardio".

Não lhe parece tardio?! Será que o deputado Paulo Rangel tem noção de quantos cidadãos existem na Europa, a quantas portas terá ele de bater, quantas ruas terá de atravessar, com quantos olhos se terá de cruzar?! Ou estará ele a pensar recorrer ao PopulismoMobile?

Portugueses cumpridores

Finalmente uma lei que é cumprida à risca pelos portugueses! Espantem-se: apenas dez coimas por incumprimento da nova lei do tabaco em 2008!

Ah, espera, será que a fiscalização é que é ineficaz/inexistente? Hum, nada disso, nós é que estamos a mudar.

Reading List

As férias dão nisto: uma "pilha" enorme de coisas por ler. A minha reading list (uma preciosidade oferecida pelo Read It Later, um add-on do Firefox) começa agora a ficar mais reduzida e, à medida que a fui esvaziando, decidi deixar-vos com alguns dos textos que mais me chamaram a atenção.

Crise: aprender (ou não) com o passado

É curioso (talvez assustador fosse o adjectivo a aplicar) reparar nas semelhanças entre a "crise" actual e a Grande Depressão. Este artigo aborda essas semelhanças, juntando ainda a crise japonesa na década de 90. As causas são marcadamente semelhantes:

"...mais preocupante se torna o facto de, naquelas duas ocasiões, por trás do surgimento da deflação, ter estado o rebentar de uma bolha especulativa dos preços de activos e a entrada do sector bancário numa crise profunda..."

As consequências também: "Preços em queda permanente, actividade económica estagnada, desemprego em alta e governos e bancos centrais sem saberem o que fazer."

Assim, resta-nos esperar que as medidas tomadas sejam mais eficazes do que então ( "O New Deal de Roosevelt só surgiu a partir de 1933, já o desemprego estava nos 25 por cento."), tornando a recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Será que a história nos ensinou algo que nos permita ser mais eficazes? Eu creio que sim, mas "as medidas tomadas (...) pouco diferem das adoptadas pelo Japão."

Surpreende-me (revolta-me!) o facto de não termos aprendido evitar chegar a esta situação. Mais uma vez, a ganância tão típica da nossa sociedade prevaleceu e encaminha-nos para mais um crash.

Será que desta vez iremos aprender a lição?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Apologia de um mundo em tons de cinza

Acção-reacção: física elementar; Equilíbrio entre reagentes e produtos: química elementar. As manifestações naturais sugerem o mote - buscam-se equilíbrios: individuais e em sociedade. Ao inegável valor da convicção, do idealismo, da manifestação categórica das vontades e desejos, opõe-se a capacidade de cedência, de compromisso, de balanço nas palavras e nos actos. Porque aumentar o contraste preto/branco é aprofundar uma dicotomia redutora; é estimular discordâncias e debate cego; é, em última análise, negar os valores da democracia. Menosprezam-se os argumentos da discórdia, descartando-os. E, não negando a naturalidade da atitude do ser convicto, possa a sociedade dar uso aos sentidos… e ouvir.

Discutamos. Mas estejamos preparados para ceder.

Elimine-se, contudo, o potencial paradoxal deste texto: não se propõe, preto no branco, um filtro cinzento, antes um apelo à moderação. É ela busca sensata do equilíbrio… mas requer, em simbiose, a agitação das vozes quentes: afinal vale o processo e não o fim.

Por isso, dada a apologia, dada a crítica, por conteúdos vagos e sem vontade precisa, talvez valha mais todo um “degradée” de cores…

domingo, 12 de abril de 2009

Arbitragens, selecção dos árbitros e avaliação dos árbitros

A arbitragem no futebol nacional é um tema que recorrentemente envolve polémica, discussão e exaltação. Debate-se a escolha ou sorteio dos árbitros para os jogos, a avaliação dos árbitros após os jogos, as suas tendências clubísticas, a sua profissionalização, os meios tecnológicos ao serviço da arbitragem, etc. mas o cerne da questão continua por resolver: como se devem escolher os melhores árbitros para os jogos e como se motiva os árbitros para que não cometam erros.

Aqui há uns anos, no seguimento de uma final da Taça de Portugal em que o Benfica participou, houve críticas ao facto de ter havido uma escolha conjunta do árbitro da final. Quando ouvi isso, pensei "Mas isto é o Ovo de Colombo, será que não vêm isso?". Mas, pelos vistos, não viram, ou então eu vi mal. Depois de muito pensar no assunto, mas sem que isso me tivesse tirado o sono :-), cheguei a um método que, baseado no mesmo princípio (o da escolha dos árbitros pelos adversários), permite acomodar outros requisitos, como a avaliação dos árbitros.

Numa primeira análise, o que importa é criar mecanismos de incentivo à qualidade das arbitragens. Ou seja, o mecanismo de selecção dos árbitros para os jogos deverá ser adequado para minimizar os riscos de polémica e os mecanismos de avaliação dos árbitros deverá ser adequado para que os árbitros sintam que apenas cumprindo bem o seu papel conseguem ser promovidos. Por outras palavras, o sistema que regula a arbitragem deverá ter mecanismos de selecção e realimentação tais que premeiem naturalmente os bons árbitros e as boas arbitragens e penalizem, também naturalmente, os maus árbitros e as más arbitragens.

A selecção dos árbitros faz-se normalmente por escolha de uma comissão de especialistas ou por simples sorteio, eventualmente por níveis de qualidade ou experiência dos árbitros. Aqui está o primeiro erro, a selecção deveria ser feita pelas entidades directamente afectadas pela actuação dos árbitros (os clubes) e não por terceiros. É assim que se passa quando, em casos de conflito, se escolhe um tribunal arbitral. É assim também que se passa no universo informático, quando dois intervenientes mutuamente desconfiados escolhem mecanismos de segurança que asseguram, aos dois, um serviço mutuamente satisfatório. Por que razão não pode também ser assim no futebol?

Portanto, o primeiro passo para resolver o problema da arbitragem consistiria em permitir que, em cada jogo, as equipas em confronto pudessem escolher, em conjunto e por comum acordo, os árbitros em que mais confiam para realizar a arbitragem.

A avaliação dos árbitros é feita de uma forma algo oculta, através de uma mistura de relatórios feitos por quartos árbitros, imagens televisivas, comissões de peritos, etc. Mas, em todo esse processo, as entidades directamente afectadas pela actuação dos árbitros, os clubes, não participam. Portanto, o sistema não possui um canal de realimentação ajustado, porque os potenciais lesados não possuem meios (legítimos) ao seu alcance para exercer o controlo de qualidade que o sistema carece. Ou seja, os consumidores finais (os clubes) não têm qualquer capacidade de controlo sobre o serviço (de arbitragem) que lhes é prestado.

Portanto, o segundo passo para resolver o problema da arbitragem consistiria em permitir que, em cada jogo, as equipas em confronto pudessem avaliar, em conjunto, a actuação do árbitro, e que essa avaliação pudesse ter um peso significativo na progressão na carreira dos árbitros.

Feita esta análise, o processo de selecção e avaliação dos árbitros deveria ser o seguinte:


1. Para um dado conjunto de jogos, cada clube envolvido apresentaria uma lista ordenada dos seus árbitros preferidos. Tal lista pode ser vazia, i.e., não conter qualquer nome.

2. Apresentadas as listas, apura-se, para cada jogo, o conjunto de árbitros comuns às listas apresentadas pelos dois clubes envolvidos. Cada um destes conjuntos pode conter vários nomes, apenas um nome, ou nenhum nome.

3. Os conjuntos com pelo menos um nome são ordenados aleatoriamente, e do primeiro para o último é escolhido aleatoriamente um dos seus elementos. Esse elemento é então apurado para o jogo a que o conjunto de que foi retirado está associado e retirado dos demais conjuntos. Este processo é repetido até ao fim da lista ordenada de conjuntos.

4. No final do passo anterior teremos jogos para os quais já existe árbitro (escolhido por mútuo acordo dos clubes envolvidos) e outros para os quais não temos árbitro (porque não existia acordo entre os clubes ou porque os árbitros que a ambos satisfaziam foram escolhidos para outros jogos). Para os jogos para os quais não temos ainda um árbitro seleccionado pode-se usar um qualquer critério de selecção de um árbitro ainda não escolhido (escolha por uma comissão de especialistas, escolha aleatória, etc.), é irrelevante, porque qualquer que seja a escolha ela não irá agradar nunca, simultaneamente, aos dois clubes envolvidos.

5. O processo anterior deverá ser estendido a todos os elementos da equipa de arbitragem: árbitro principal, auxiliares e quarto árbitro.

6. No final de cada jogo a actuação de todos os elementos da equipa de arbitragem deverá ser avaliada pelos clubes envolvidos e os árbitros de campo (principal e auxiliares) deverão ser ainda avaliados pelo quarto árbitro. Assim, cada árbitro de campo terá 3 avaliações e o quarto árbitro 2 avaliações. Estas avaliações deverão ser usadas para calcular uma nota final da prestação dos vários árbitros envolvidos no jogo.

7. As avaliações deverão possuir uma nota de 0 a N que reflicta a sua prestação global, tanto em termos técnicos como disciplinares. As diversas notas são então agregadas de forma a calcular uma nota final, a qual deverá influenciar a progressão na carreira dos respectivos árbitros.

8. A agregação da nota deverá ser feita de tal forma que um árbitro seja fortemente penalizado se prejudicar claramente uma das equipas. Por outras palavras, a nota final só deverá ser alta se o trabalho do árbitro for satisfatório para ambas as equipas em confronto e baixa se prejudicar uma ou ambas as equipas. Um método que tal garante é o cálculo da nota final através de média geométrica.

Falta agora demonstrar que o sistema se auto-regula, ou seja, que haverá uma tendência natural para a escolha dos melhores árbitros para os jogos e haverá uma natural tendência para que as arbitragens sejam boas.

Quando ao primeiro ponto, cada clube terá tendência para apresentar, para cada jogo, uma lista de árbitros não nula, de modo a aumentar a probabilidade de lhe ser atribuído um árbitro que à partida lhe dá maiores garantias de qualidade. Os clubes que apresentarem listas nulas perdem qualquer capacidade de influência, logo terão tendência a evitar tal prática. Por outro lado, os clubes demasiado exigentes, que apenas apresentem listas com um ou poucos árbitros, perdem igualmente capacidade de influência, porque tais listas têm baixa probabilidade de obter um consenso com o interlocutor, ou, caso o mesmo exista, pode mesmo assim não permitir uma escolha de comum acordo por causa da escolha aleatória indicada no ponto 3. Concluindo, os clubes, para poderem influenciar a escolha dos árbitros que pretendem para os seus jogos, terão uma natural tendência para criar listas de preferências longas, possivelmente incluindo todos os árbitros excepto aqueles aos quais objectivamente não reconhecem qualidade.

Quanto ao segundo ponto, é fácil demonstrar que os árbitros, para terem uma boa nota, apenas têm uma solução: fazerem um bom trabalho. Com efeito, se prejudicarem alguma das equipas, serão penalizados pela outra equipa ou por ambas, logo quaisquer tendências em favor de algum dos clubes serão naturalmente penalizadas. Por outro lado, se a arbitragem for deficiente mas de tal forma que beneficie ambas as equipas, o que não é fácil, a nota atribuída pelo quarto árbitro poderá funcionar como elemento dissuasor dessa prática.

Concluindo, este sistema cumpre os propósitos enunciados: permite uma escolha o mais correcta possível dos árbitros adequados para cada jogo e premeia os bons árbitros. O sistema possui uma regulação natural, porque penaliza atitudes demasiado exigentes dos clubes na escolha dos árbitros e penaliza favorecimentos de árbitros a clubes. Finalmente, o sistema de selecção dos árbitros e de progressão na sua carreira permite uma regulação por parte dos seus clientes: os clubes.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Um sistema de propinas baseado no mérito

Estando eu inserido no tecido académico português, o tema do financiamento do ensino superior português toca-me especialmente. Parece-me claro que ainda estamos longe de um sistema equilibrado e sustentável de financiamento das universidades públicas, mas alguns passos estão a ser dados nesse sentido.

De entre inúmeras variáveis que influenciam este financiamento (por exemplo, a interacção entre o tecido empresarial e a comunidade cientifica portuguesa), o que me traz aqui hoje é a questão das propinas. Eu sou da opinião de que todos devem ter acesso à educação, é inquestionável. Numa utopia, numa sociedade perfeita, em que não existe a chico-espertice e o oportunismo, onde de facto todos vêm a educação como uma forma de evolução pessoal e não apenas como uma forma de ir à mercearia e ouvir a Sra. Amélia a tratá-lo por Sr. Doutor, esse acesso seria gratuito. Mas nós não vivemos numa utopia (infelizmente... ou então felizmente, não sei). Além disso, embora não seja diplomático dizê-lo, nem todos chegam à maioridade com capacidades para singrarem a nível académico.

Cada aluno tem um custo para a universidade e esse custo naturalmente tem de ser pago pelo aluno. A questão é sobretudo como. Passo a explicar: um aluno pode pagar à sua universidade do modo usual (dinheiro) ou através de serviços. Ou mais interessante ainda, através do seu próprio mérito, trazendo reputação (e tudo o que daí advém para a universidade).

Assim, o que eu defendo é uma propina única para todos os alunos juntamente com um "desconto" baseado exclusivamente no mérito escolar de cada aluno. A questão é como fazer um tal sistema funcionar. Para isso, vou recorrer a um exemplo (académico).

Na Universidade A, o curso X tem 100 alunos inscritos no 2º ano. Estima-se que o custo que a Universidade tem com cada um destes alunos é de 1000€ anuais (o que perfaz um custo total de 100 000€ anuais). O objectivo é criar um sistema de propinas que preencha os seguintes requisitos:

  1. Permitir à Universidade cobrir os custos com estes alunos;
  2. Premiar o desempenho escolar de cada aluno.

Com esse objectivo, a Universidade A fixa o valor da propina anual para o 2º ano do curso X em 2000€. Se a instituição decidir cobrar este valor a cada um dos alunos, obterá 200 000€, o que permitiria satisfazer amplamente o primeiro requisito. Mas fica por satisfazer o segundo dos requisitos: motivar o elevado rendimento escolar.

Para corresponder a este ultimo requisito, a Universidade ordena os alunos por média das classificações às disciplinas frequentadas no ano lectivo anterior. Caso o aluno não tenha obtido aprovação a uma das disciplinas, a Universidade faz atribui a esse aluno nota 0 nessa disciplina. Após consultar a sua posição nesta lista ordenada de classificações, o aluno consulta a seguinte tabela para saber quanto deve pagar:



Com este sistema, ambos os requisitos são satisfeitos. O sucesso escolar é claramente premiado, fomentando assim uma cultura de exigência e de excelência. Quanto ao primeiro requisito, utilizando este esquema de descontos, a Universidade obtém 104 000€, satisfazendo assim as suas necessidades de liquidez.

Podemos tentar atacar este modelo (é exactamente isso que pretendo dos meus leitores: ver o modelo apedrejado) partindo de questões de índole social. Podemos argumentar que os ditos “meninos de papá rico” não se importariam de pagar a propina na sua totalidade (caso estejam na cauda da lista). Essa situação parece-me inevitável. Contudo, penso que com este sistema a grande fatia dos alunos sentir-se-á impelida a melhorar o seu rendimento escolar, o que elevará a qualidade de todos, incluindo os que estão na cauda da lista bem como os que estão no topo. Assim, a qualidade passaria a ser premiada, o que, a médio/longo prazo, levaria a uma redução considerável dos efeitos da questão acima descrita. Quanto a alunos das classes sociais mais baixas, este sistema premeia a qualidade dos alunos, logo estes alunos estariam protegidos e seriam apoiados naturalmente, de um modo proporcional às suas capacidades.

Este sistema pode ainda ter por detrás um sistema de acção social, mas não me parece uma boa solução. Basta ver o sistema de acção social actual, em que inúmeras injustiças se cometem e milhares de euros são investidos em alunos que não fornecem retorno à Universidade. Assim, num sistema como o que proponho aqui, não é essencial a existência de um sistema de Acção Social, pois o próprio sistema já introduz apoios a quem revelar mérito para tal e esse apoio é proporcional ao mérito revelado.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Será isto uma democracia?

Caros leitores,
Desculpem falar de política novamente, mas empolgado pela frase da Nina: "Todos sabemos onde nos levou a ideia de que os governantes é que sabem o que é melhor para o povo (para os súbditos)..." - fui buscar uma entrevista onde vi muita coisa importante a ser dita e pensada.
O homem que as proferiu pouco interessa, até porque tem telhados de vidro, continua a governar neste sistema político, teve 30 anos para mudar aquilo que tanto aponta, mas nada fez... e por aí fora! No entanto, nesta entrevista disse muitas coisas que fazem-nos pensar... Será que aquilo que vivemos hoje em dia será uma democracia? Ou será uma partidocracia? Ou um poder de lobbys, interesses económicos e da comunicação social?

Alguns excertos da entrevista para vocês comentarem...

"Os partidos não correspondem ao sentido do povo e cada vez menos correspondem…"

"Porque uma das coisas que me irrita é ouvir dizer a culpa é dos políticos… mas alguém votou para pôr estes políticos a governar, (…) quem é que colocou estes tipos lá?"

"Os partidos políticos, hoje, são organizações onde estão grupos de pessoas que estão pensar se vão para a junta de freguesia, para a empresa pública, se vão para a câmara, para a assembleia municipal, depois arranjam os seus grupos, os padrinhos do grupo, … "

"O povo português não está sintonizado com os partidos nem está sequer sintonizado com este sistema político."

"Nós temos, depois das eleições nacionais uma nova legislatura de quatro anos, que tem poderes de revisão constitucional. Viu alguém dos órgãos de estado falar da revisão constitucional? Viu algum partido político falar da revisão constitucional?"

"Órgãos de Estado, partidos, comunicação social ligada ao sistema, está tudo a defender o sistema."

"Os portugueses têm que perceber que este sistema já deu o que tinha a dar… ou nós mudamos o país pela via democrática através de uma próxima revisão constitucional ou não vamos a parte nenhuma."

"Eu estou preocupado com o Sr. Sócrates e com a incompetência daquela gente…"

"A nossa lei fundamental, a nossa constituição é fantástica no campo dos direitos, liberdades e garantias individuais. Daí por diante, embrulhe-a e deite-a fora."

"A própria lei proíbe o referendo de normas constitucionais."

"A constituição tem normas económicas, normas sociais, … que deviam ser de programas de governo e estão a empatar tudo. Nem os portugueses, nem qualquer governo pode propor no seu programa de governo qualquer alteração ao que lá está, porque está na constituição."

"Repare no escândalo nacional, 10 milhões de portugueses não podem fazer um referendo a uma única norma da sua constituição. Para mais, uma constituição que nunca foi referendada pelo povo português. 50 pessoas, 25 da direcção nacional do PS e 25 da direcção nacional do PSD, estes 50 cidadãos portugueses, 50 tipos podem mudar a constituição do país desde que cheguem a acordo. Mas 10 milhões não podem votar, nem mudar a lei fundamental que é a base da sua vida de todos os dias."

"Na altura que os portugueses começarem a perceber isto tudo, vão ver como é que andam enganados por esta classe política."

"É preciso que os portugueses de Trás-os-Montes, os portugueses do Alentejo, os portugueses do Algarve percebam que enquanto não houver a descentralização administrativa (…) enquanto isso não se fizer, estão a ser roubados…"

A entrevista completa.
http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/mariocrespoentrevista/2009/1/mariocrespoentrevista.htm

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A metáfora da Costa Rochosa

Li e reli com bastante atenção cada uma das "pedradas" que aqui se têm atirado e tenho reparado que todas elas apontam e criticam algo, como fazia o "velho do Restelo" evocado pelo nosso amigo Jorge!
Ele até tem razão no que aqui escreveu... o nome Costa Rochosa remete para uma encosta bastante pedregosa com o mar a bater com força lá no fundo, elevando a espuma das suas ondas até ao céu cinzento e pesado das nuvens. Alguém, no topo da encosta, grita críticas para o mar, como o Velho do Restelo o fazia! As palavras ecoam no meio do nevoeiro e são empurradas pelo vento até aos marinheiros que se encontram a navegar no alto mar.
E agora? Seremos nós velhos ou marinheiros? Será que estamos da parte de fora a atirar "pedras" para afundar o navio? Ou será que estamos lá dentro a atirar as mesmas "pedras" borda fora porque o navio se está a afundar?
Sinceramente não sei! Mas em qualquer uma delas, o que é certo é que o navio está a afundar-se!

Esta é uma metáfora negra para um cenário não menos brilhante do nosso país!

Todavia, o Velho do Restelo estava enganado! Felizmente, os navegadores portugueses foram muito valentes e corajosos, empreenderam a grande conquista portuguesa, elevaram o nome de Portugal ao nível dos Deuses!
Assim, nós também o poderemos fazer!
Embarquemos, atiremos as "pedras" borda fora, remendemos o nosso barco e içemos as velas rumo ao alto mar!


Após ter lido e relido o texto que acabo de escrever sei que fui algo poético, o que nem sempre empolga as pessoas, é alvo de chacota de quem lê ou ouve. Mas noutras, levanta a moral, rasga sorrisos de ânimo na audiência e faz levantar multidões em estridentes aplausos! Foi o que eu vi fazer José Fanha, ontem, na minha escola! Bem-hajam a todos os Zés que andam por aí!

Ah! E para verem que a metáfora da Costa Rochosa não é tão negra assim, escrevam "Portugal Costa Rochosa" no google e procurem imagens!

Noticias de hoje

«O Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, afirmou...que respeita o divórcio como última solução para os casos de violência doméstica. (...)
Alheio à polémica que provocou ao defender o uso de preservativo por portadores do vírus da sida, como forma de travar a progressão da doença, o Bispo de Viseu voltou a surpreender.» in JN, 01-04-2009
É bom saber que, finalmente, dentro da Igreja começam a haver vozes sensatas que se fazem ouvir! Vamos ver se essas vozes conseguem aguentar a pressão e continuar a manifestar-se ou se vão ser caladas...
«O primeiro-ministro, José Sócrates, elogiou hoje o trabalho da ministra da Educação, considerando que Maria de Lurdes Rodrigues "fez bem em nunca ceder" apesar das dificuldades e obstáculos que encontrou. (...)
...apontando a polémica sobre as aulas de substituição (...) como um exemplo de uma matéria em que a Ministra da Educação fez bem em não desistir.»
Ninguém nega que as reformas na educação - tal como noutras áreas - era necessária. Agora, convenhamos, impor uma reforma que é contestada por todos, nomeadamente pelas pessoas entendidas na matéria, não me parece que seja de louvar! Pelo contrário. Todos sabemos onde nos levou a ideia de que os governantes é que sabem o que é melhor para o povo (para os súbditos)...
Sou totalmente a favor da avaliação dos professores - e de todos os funcionários públicos. Mas uma avaliação rigorosa, com pés e cabeça, e não uma avaliação pautada por objectivos como diminuir os custos com salários dos professores (pela progressão na carreira) e passar os meninos a todo o custo, mesmo que não saibam nada.
E já agora... para que servem as aulas de substituição? Segundo o que me diz a minha irmã, normalmente é para estarem no paleio ou ouvirem música! Não percebeo. Eu ainda sou do tempo em que quando o professor faltava era uma alegria, tinhamos uma hora inteira para fazer o que nos apetecia, estar no paleio com os amigos, jogar cartas ou pingue-pongue, estar sentada no jardim da escola sem fazer nada. Não foi por não ter aulas de substituição que aprendi menos que os meninos aprendem agora. Acho que cada vez os alunos passam mais tempo na escola para aprenderem e conviverem menos... Posso estar errada - eu nem sequer sou da área da educação - mas... é o que me parece.